Pedro Cezar e Ivan Vilela se apresentam no Palco Sesc, em Pouso Alegre

2–3 minutos

Voz e violão. Na verdade, vozes, violão, viola e guitarra. Esse foi o cenário sonoro da apresentação de Pedro Cezar e Ivan Vilela, no Conservatório Estadual de Música Juscelino Kubistchek de Oliveira, em Pouso Alegre, Sul de Minas. O show, realizado no dia 29 de maio de 2025, integrou a programação do Palco Sesc, com a curadoria da analista do Sesc Pouso Alegre, Magda Santos.

O show gratuito apresentou um repertório mesclado entre canções do último álbum de Pedro Cezar, “Matutando sonhos”, gravado em 2022, músicas do próprio Ivan Vilela e ainda uma homenagem a outro músico de Pouso Alegre, Marcos Mesquita, que integrou o grupo Imbuia. Mesquita, como era conhecido, faleceu em 2023. Pedro Cezar também interpretou a canção “Carro de boi”, de Milton Nascimento.

O palco foi dividido com outras vozes femininas. As jovens cantoras pousoalegrenses Giulia Damásio e Tatiana Meireles e a veterana Pricila Stephan participaram do show em momentos diferentes e se juntaram, no final, para interpretar a música “Mandu”, em homenagem ao Mesquita e ao Grupo Imbuia.

Durante a passagem de som, na tarde de quinta, conversamos com Pedro Cezar, sobre a carreira, o show e o cenário musical mineiro. Para o cantor, natural de Poços de Caldas, o convite do Sesc foi recebido com um misto de felicidade e desespero. “Porque o Ivan é uma grande referência, não só pra mim, mas pra todo mundo que gosta de música e está minimamente ligado na produção de música brasileira nos últimos 20 anos”, confidenciou.

Para Pedro Cezar, foi uma surpresa muito boa, pois conhece o Ivan de outros encontros, “muito de estar nos shows dele enquanto público e conhecer pessoas em comum. Mas, aquela coisa da oportunidade de tocar com um ídolo mesmo, uma pessoa que é referência”, salientou. O músico explicou que o repertório foi pensado a partir dos discos dos dois. “E aí, a gente começou a pensar o que iria tocar. E ele reforçando muito assim: ‘ó, Pedro, seu trabalho é muito bonito. Vamos tocar suas músicas’. Então, o repertório está baseado tanto em músicas do meu disco ‘Matutando sonho’, e, obviamente algumas músicas do ‘Hortelã’, que é o trabalho fundamental do Ivan”. 

Sobre o cenário musical, Pedro Cezar explica que a região do Sul de Minas e todo o estado são ricos em sonoridades musicais, desde as tradições folclóricas e religiosas, como as Congadas – que ele também traz em seus discos – e os diversos estilos que influenciam os artistas.  “Talvez, uma síntese de todo esse aglomerado, essas confluências de ritmos, de culturas populares e a nossa capacidade de trazer influências do mundo pop, do rock pra dentro do que a gente faz. Então, realmente, a música mineira tem uma carinha de música mineira, e a gente tem que apostar nisso também”, salienta.

Em tempos de sucessos rápidos, de grandes públicos internéticos e pouca estética musical, a apresentação de Pedro Cezar e Ivan Vilela lembra que a arte insiste e persiste, construindo espaços próprios e servindo de “bálsamo” para os dias atuais, como adjetivou a percussionista Hortência Martins, ao final do espetáculo.

Suzana Coutinho


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